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Você tem medo de perder o emprego para robôs?








Após ouvir 2 mil profissionais na Europa e nos Estados Unidos, pesquisadores da Universidade Técnica de Munique concluíram que os trabalhadores preferem perder o emprego para robôs a verem suas tarefas sendo feitas por outros seres humanos. A situação se inverte apenas quando a pessoa a perder um emprego é um colega de trabalho. Nesse caso, a preferência é por seguir trabalhando ao lado de uma pessoa. Para os autores do estudo, isso acontece pelo fato das pessoas se compararem menos com máquinas, que representaram uma ameaça menor para a autoestima.



Os robôs estão ocupando um espaço cada vez maior em diversas esferas e, principalmente, do setor econômico. No Reino Unido, uma pesquisa publicada em 2018 mostrou que 60% dos britânicos acreditam que as máquinas vão se tornar parte comum do cotidiano nos próximos 50 anos. Já um estudo publicado em junho de 2019 pela consultoria Oxford Economics aponta que cerca de 20 milhões de trabalhadores da indústria poderão ter o emprego substituído por robôs globalmente até 2030. Embora os números possam assustar, há quem prefira ser substituído por uma máquina no ambiente de trabalho. Em uma nova pesquisa da Universidade Técnica de Munique publicada pela revista Nature, a maioria dos trabalhadores da Alemanha disseram preferir que seu emprego seja tomado por robôs do que por outros seres humanos. As máquinas e a autoestima O estudo se dividiu em algumas etapas. 

Na primeira, os pesquisadores conversaram com 300 trabalhadores da Alemanha empregados em diversos setores da economia. Os professores perguntaram se os profissionais prefeririam ver um colega de trabalho sendo substituído por um humano ou por um robô. Entre os entrevistados, 62% disseram preferir que o colega fosse substituído por outra pessoa. 

A segunda pergunta feita pelos pesquisadores questionava os trabalhadores se eles próprios achariam melhor ser substituído por um robô ou por outro profissional. Nesse caso, 63% afirmaram preferir ser substituído por um autômato. Uma segunda etapa de perguntas teve a participação de 251 pessoas. 

A fase, qualitativa, buscou entender os sentimentos dos trabalhadores quando empregos eram substituídos por robôs. De acordo com a pesquisa, os entrevistados acreditam que a substituição por um autômato é menos danosa para sua autoestima do que quando o emprego vai para outra pessoa. Nessa fase, os entrevistados precisavam escolher qual tipo de substituição seria mais danosa para o seu senso de competência. As respostas apontaram que os trabalhadores questionariam mais as suas habilidades e capacidades caso fossem substituídos por outros seres humanos. 

Conforme apontou o estudo da Oxford Economics, a indústria manufatureira sofrerá o maior impacto pela substituição por robôs. A pesquisa da Universidade de Munique também conversou com 296 trabalhadores do setor, e um terço afirmou que prefere ser substituído por robôs do que por outros seres humanos. 

O impacto da automação no trabalho:  A onda crescente da entrada das máquinas no mercado de trabalho traz novos debates para as economias ao redor do mundo. A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que reúne os países com os maiores PIBs do mundo, fez um estudo para entender o impacto da automação globalmente. De acordo com o artigo, trabalhadores com menor renda e educação, nos mais diversos setores, serão os mais afetados pelas substituições. 

A OCDE sugere que as políticas públicas dos países deveriam pensar em como reduzir a desigualdade decorrente desse fenômeno, em vez de temerem uma ameaça abstrata de desemprego generalizado. Nick Bostrom, doutor em filosofia pela Universidade de Oxford e fundador do Instituto Futuro da Humanidade, que pesquisa as implicações sociopolíticas do desenvolvimento tecnológico, afirmou em artigo de 2017 que as nações se adaptarão ao aumento dos robôs no mercado de trabalho. “Preocupações sobre o desemprego causado pela tecnologia não são novas”, escreveu. “Depois da Revolução Industrial, os países desenvolvidos mudaram de economias baseadas em agricultura para economias baseadas na indústria e, finalmente, economias baseadas em serviços. As fases iniciais da industrialização impuseram grandes fardos para parcelas significativas da população”, apontou. "Com o passar do tempo e a introdução de novas políticas sociais, a industrialização representou grandes ganhos para a prosperidade humana, refletida em índices de nutrição, expectativa de vida, mobilidade, acesso à informação e outros fatores determinantes do bem-estar social”, acrescentou. Em 2018, a Fundação de Inovação e Tecnologia da Informação, dos EUA, publicou um estudo que demonstrou que quanto mais robôs, maior o PIB de um país. 

De acordo com a pesquisa, as empresas que investem na automação dispensam seus funcionários num primeiro momento, mas eventualmente conseguem criar oportunidades para trabalhadores em outras áreas da companhia. Discussões públicas sobre a criação de políticas socioeconômicas para lidar com a automação ainda avançam lentamente. Em 2017, Mady Delvaux, representante de Luxemburgo no Parlamento Europeu, entregou a proposta da criação de um imposto que incidiria sobre empresas que substituem seus trabalhadores por robôs. A ideia foi rejeitada. Para o empresário da área de tecnologia Elon Musk, a ideia da Renda Básica Universal será necessária para que a humanidade se adapte a uma realidade na qual os robôs passem a ser peça fundamental dos mercados de trabalho. A ideia é popular no Vale do Silício. No modelo da Renda Básica Universal, os trabalhadores recebem mensalmente um valor que cobre todas as suas necessidades básicas. Em 2017, dois projetos-pilotos foram testados.


Foto: ISSEI KATO/REUTERS

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