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Felicidade no trabalho


Um homem bate na porta do quarto do filho.
 “Jaime, acorde!” Jaime responde:  “Não quero me levantar , pai!”.
 O pai diz: “Levante, você tem que ir para a escola!” Jaime diz: “Mas pai, não quero ir para a escola!”.
 “Por que não?”, pergunta o pai. “Três razões”, diz Jaime, “Primeiro, porque é muito chato, segundo, porque as crianças me ridicularizam e teceiro, porque os professores me odeiam”.
 O pai responde: “Bem, vou lhe dar três razões porque você TEM que ir para a escola. Primeiro, porque é sua obrigação; segundo, porque você tem 45 anos de idade; e terceiro, porque você é o diretor!”.
Neste sábado participei de um debate na Rádio CBN sobre Felicidade no Trabalho, e comecei minha participação exatamente com esta história, que gosto muito.
Quantas pessoas você conhece que são quase que miseráveis no trabalho? Conheço casos que vivem a tal sequência interminável de quartas-feiras, ligadas no piloto automático, em função do salário no final do mês e de segurança. Adotam um modo de piedade patrocinada, em que a parte mais excitante de sua semana é a chegada da 6a feira, que rapidamente se transforma na 2a feira, de novo… Ou, no pior e mais triste dos casos, incorporam o estilo Vampeta: “a gente finge que trabalha e eles fingem que nos pagam”…
Você, diante do espelho e pensando com os seus botões, já se sentiu (ou se sente) desta maneira?
Confesso que já vivi momentos como este. Na época em que era dentista (exerci durante um ano e meio), percebia que alguma coisa não estava certa, e não podia conceber ter que fazer aquilo pelo resto da minha vida. Nada contra a profissão ou os dentistas (inclusive uso fio dental diariamente!), mas simplesmente não era para mim. Depois, já na carreira de gestão, passei por uma empresa que, depois de um certo tempo, parecia um corredor polonês de tanta marretada interna. Todo dia era uma prova pessoal de superação.
E o que fiz? Consegui mudar.
O que acho que a gente deve fazer? Jogar tudo para o alto? Não necessariamente (embora às vezes seja o caso, ou dê muita vontade!).
Um ponto que me chama a atenção, sempre, é de como colocamos 100% de nossa disciplina nos assuntos do trabalho, nos entregáveis, nos deadlines, nas apresentações e projetos. Fazemos isso por que somos responsáveis, por que temos medo do chefe, por que somos comparados com nossos pares, por que queremos crescer, por que temos medo de sermos mandados embora? Normalmente uma das anteriores (ou a soma de algumas) explica boa parte de nossa disciplina no trabalho. Mas por que não colocamos sequer 20% desta mesma disciplina na vida pessoal? Isso tem ligação com exercícios físicos, com hobbies, com alimentação, com organização etc, etc. (pano para muitas mangas aqui no MTPS!). Mas o ponto de hoje é a disciplina analítica e de registro do que sentimos, bem como os planos de ação da vida pessoal.
Fazemos ou lemos muito sobre análises SWOT – pontos fortes, fracos, oportunidades e ameaças. Via de regra aplicamos para produtos, para empresas, para novos projetos. Mas que tal fazer uma SWOT para nós mesmos, e para nossa carreira? Quais os pontos positivos, os negativos, as ameaças e as oportunidades do trabalho, da ocupação atual? Colocando na balança, os positivos superam os negativos? Os desafios suplantam as ameaças? A comparação entre o lado bom e o lado ruim pende para que lado? Indo além: o que podemos fazer para criar mais satisfação no trabalho atual? O que está ao nosso alcance que pode ser modificado? Pode ser que os negativos sejam muito preponderantes. Neste caso, qual o plano de ação para atrair e gerar a mudança? Falo de aspectos claros e tangíveis – preparação de CV, perfil atualizado no LinkedIn, contato com headhunters, ativacão do network, entre outros. Ou seja, fazer uma análise da situação atual, um diagnóstico, para então conceber um plano de ação. E depois, realizar, medir, reavaliar, colocar em prática.
Ghandi disse “Não existe caminho para a felicidade; a felicidade é o próprio caminho”. Não adianta pensar que um dia as coisas vão mudar (quando eu tiver 60 anos, quando eu estiver mais tranquilo, quando eu conseguir minha promoção, quando eu terminar de pagar o financiamento do apartamento etc.). É muito subjuntivo, é muito chute para a frente. Será que cruzaremos a tal linha lá na frente? Teremos energia e disposição para viver quando chegarmos “lá”?
Temos que agir e tomar providências hoje, agora.
E o que isso tem a ver com stress? Absolutamente tudo. A insatisfação crônica é um fator invisível, perigoso e muito nocivo para a saúde e o bem estar. Podemos desenvolver um estado de inércia, de quase depressão, de sonambulismo corporativo, que não só nos impede de viver o hoje com mais intensidade, como também pode nos cercear a saúde e as chances de construirmos um futuro melhor, como queremos.
Henry David Thoreau disse que “A maioria dos homens vive a vida em estado de desespero calado, e leva a música de suas almas para o túmulo“. Vamos acordar e fazer diferente, agindo com disciplina hoje, para construir o tal caminho da felicidade no trabalho ao mesmo tempo que vivemos as 2as feiras, os desafios e picos de carreira, e o equilibrio com a vida pessoal que queremos.
Fonte: Revista Exame 

Karla Aprato 
Especialista em Gestão Estratégica de Pessoas 


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