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Não se transforme no "faz-tudo" da empresa

Palavra da semana: idiossincrasia.

Uma forma erudita de dizer “eu sou assim mesmo e não vou mudar”. Em grego, idios era “pessoal”, “particular” (da mesma fonte, veio “idéia” e “idiota”), syn era “junto” e crasis era “mistura”, “tempero”. Quando uma pessoa se comporta de maneira peculiar, diferente da maioria, ela não está sendo do contra. Está sendo idiossincrática. Não muda nada, mas soa melhor. A idiossincrasia é uma teimosia com ph.D.
Qual deve ser a postura de um funcionário quando o chefe descobre que ele está participando de um processo de seleção em outra empresa? 

O funcionário não deve dar a impressão de que foi apanhado fazendo algo errado, vergonhoso, imoral ou antiético. Estar atento às oportunidades do mercado é um fator essencial na gestão da própria carreira. A resposta deve ser: “É verdade, eu sempre participo desses processos”. Também é importante que o funcionário não comece a explicar mais do que o chefe perguntou. Se a pergunta for “Você está insatisfeito aqui?”, a resposta é “Não, estou muito satisfeito”. Inventar histórias ou desculpas, ou tentar aproveitar o momento para fazer críticas ou pedir aumento só iria transformar uma conversa simples numa situação complicada.
Vim para uma empresa em que os diretores são tratados por “doutor”. Como nenhum deles, de fato, tem doutorado, isso não parece algo meio ultrapassado, que soa mais como puxa-saquismo que como respeito? 


A resposta tem 1.620 anos e foi dada por Santo Ambrósio, bispo de Milão, a Santo Agostinho: “Em Roma, faça como os romanos”. É mais sábio se adaptar a uma cultura existente que tentar adaptá-la a nossas próprias convicções. Santo Agostinho aceitou o conselho e se tornou um dos mais respeitados doutores da Igreja.
Estou há oito anos na mesma função, e ganhei um rótulo: “faz-tudo”. Qualquer problema que aparece pousa direto em minha mesa. O bom é que consegui angariar confiança. O ruim é que convivo com excesso de trabalho, muita cobrança e nenhuma possibilidade de ascensão profissional. 

Pois é, você se tornou “o insubstituível”. E isso seria ótimo se seu foco principal fosse a segurança no emprego. Para quem tem ambições mais altas, ser o depositário fiel de todos os problemas não ajuda a criar asas. Ajuda a criar raízes. Quanto mais o tempo passa, mais os pés afundam no chão sob a mesa. Casos como o seu têm duas explicações. Ou seu chefe é egoísta e não permite que você voe para outros cargos, ou ele é lúcido e sabe que você já atingiu seu potencial e vai se espatifar se tentar voar mais alto. Em qualquer das hipóteses, você precisa procurar outras opções. Ou para provar que seu chefe está errado, ou para se convencer de que ele está certo.
Tenho uma horrível “síndrome do primeiro dia”. Foi assim nas escolas e tem sido assim no trabalho. No primeiro dia, morro de medo de tudo. Dos colegas, do chefe, da responsabilidade. Há como me livrar desse temor?


Depende, você sofre porque acha que é incompetente e que tudo vai dar errado ou porque tem uma enorme vontade de acertar? Como você não disse que o pânico continua pelos dias seguintes, eu imagino que seja a segunda alternativa. Logo, encare sua reação de modo positivo. O contrário seria pior – imaginar que tudo vai dar certo e não se preparar para eventuais frustrações. No fundo, você é feliz e não sabe. Dissipar uma frustração leva meses, e você tem uma sindromezinha que se dissolve em oito horas. 



Fonte: Max Gehringer na Revista Época

 
Karla Aprato Especialista em Gestão Estratégica de Pessoas

Para fins de direitos autorais de imagem declaro que a foto usada no post não é de minha autoria e que os autores não foram identificados.






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